Bagé é uma cidade de 120 mil habitantes localizada na região da Campanha Meridional, Rio Grande do Sul, a 60km da fronteira com o Uruguai. A economia da região é baseada na agricultura e pecuária e a cidade é famosa como um pólo da cultura gaúcha e do tradicionalismo, com eventos como a Festa Internacional do Churrasco e a Expofeira. Possui uma universidade local particular (URCAMP), a federal Unipampa (Universidade Federal do Pampa) e a Universidade Estadual do Rio Grande do Sul – UERGS, além de instituições de ensino a distância e cursos técnicos.
Se você planeja vir a Bagé para o próximo Japan Project ou algum outro evento, é fácil chegar a Bagé. Quem vem de Porto Alegre viajará de ônibus cerca de 5 horas, gastando entre R$52,00 e R$60,00. Se você planeja uma excursão ou pretende vir de carro, deve utilizar a BR290 e seguir pela BR153 para ter acesso à cidade. Quando estiver próximo da cidade você passará por um trevo onde as placas indicarão a rota para Bagé. Quem vem de Pelotas ou Santana do Livramento/Dom Pedrito utilizará a BR 293.
Uma vez em Bagé você pode pedir informações na própria rodoviária, nos prédios públicos ou, caso venha para um evento apoiado pela Horizon, é só chamar a gente.
O primeiro contato desta região com o homem europeu foi provavelmente na segunda metade do século XVII, quando os padres jesuítas, enviados pela coroa espanhola, desceram da região dos Sete Povos das Missões (onde também está São Miguel, outro ponto forte de catequização e cristianismo daqueles tempos) e instalaram-se aqui, fundando a redução de Santo André dos Guenoas para ensinar, por bem ou pela força mesmo, os dogmas do cristianismo aos índios locais.
A própria natureza, origem e costumes desses índios ainda é discutível entre historiadores devido à ausência de informações úteis sobre sua própria cultura naqueles tempos. O que sabemos é que a reação deles à colonização não foi nada amigável, e que botaram os padres para correr e reduziram a redução a migalhas no meio desse processo.
Mais tarde, em 1750, Portugal e Espanha assinaram o Tratado de Madri, pelo qual os portugueses renunciavam à Colônia de Sacramento (localizada no sudeste do Uruguai) em troca de terras do atual Rio Grande do Sul e da expulsão dos Setes Povos para a outra margem do Rio Uruguai.
Quando, em 1752, os dois exércitos – português e espanhol – chegaram nos campos de Santa Tecla, onde futuramente seria Bagé, para demarcar as fronteiras, haviam pelo menos uns 600 índios charruas não muito receptivos esperando por eles, comandados por Sepé Tiarajú, catequizado e convencido de que aquelas eram "terras que Deus e São Miguel lhes haviam dado". Os índios botaram todos para correr.. de novo.
FORTE DE SANTA TECLA
Em 1773, o Governador de Buenos Aires, D. Juan José Vertiz y Salcedo, com 5.000 homens, partiu do Prata para expulsar os portugueses do Rio Grande do Sul e chegando aqui, uma região importante para o fluxo das tropas, ordenou que fosse construído o Forte de Santa Tecla, uma construção imensa em forma de estrela, cercado por um fosso de 9 metros de largura e 2,5 de profundidade, com muralha de 3 metros de altura e baluartes que alcançavam 5,5 metros.
Parecendo uma fortaleza impenetrável e indestrutível, foi com alguma incredulidade que a invenção veio abaixo duas vezes. A primeira, em 1776, quando Rafael Pinto Bandeira o invadiu e expulsou os espanhóis.
Depois de assinado o Tratado de Santo Idelfonso, em 1777, uma guarnição espanhola ocupou novamente o Forte, e os portugueses se estabeleceram numa Coxilha (uma espécie de colina) que recebeu o nome de Guarda de São Sebastião. Em 1801, os espanhóis abandonaram todos os seus postos, inclusive o Forte de Santa Tecla, que foi, pela segunda vez, demolido e arrasado. O território passou definitivamente aos portugueses, e as terras bageenses foram ocupadas por sismeiros ou arrendadas a pessoas que se destacaram nos combates travados.
FUNDAÇÃO DE BAGÉ
Em 1810, algumas das colônias espanholas conquistaram sua independência da Europa, e em 1811, o governador do Rio Grande do Sul, Dom Diogo de Souza, concentrou o exército português nas fronteiras, temendo que os espanhóis recém separados se irritassem e procurassem revidar. Assim, montou seu acampamento próximo aos "Cerros de Bagé", local onde hoje se situa nossa cidade. Segundo alguns historiadores, em 17 de julho de 1811, D. Diogo partiu com suas tropas para invadir o Uruguai, deixando aqui os inválidos, fracos e incapacitados e estes originaram o município de Bagé.
A data de fundação de Bagé – 17 de julho de 1811 – bastante discutida até hoje, foi estipulada em 1963, pelo historiador Tarcísio Taborda por ocasião do Congresso do Segundo Centenário do nascimento de Dom Diogo de Souza.
A povoação se espalhou em volta da Praça da Matriz (onde seria o centro do acampamento), e uma igreja, muito simples, foi construída (em 1820) para abrigar a imagem do padroeiro da cidade, São Sebastião, traziada em 1813 Bagé. Essa Igreja se transfornou na Cetedral que existe até hoje.
ORIGEM DO NOME
A origem do nome Bagé é particularmente interessante e recheada de lendas e mistérios. Segundo Jorge Reis em seu “Apontamentos de Bagé”, teria sido o nome do índio Ibagé, cacique minuano que vivia nos cerros da cidade que teria inspirado este nome. Existe a lenda de que ele teria sido enterrado por lá. Outras lendas associam à palavra Ymbaiê, também de origem índigena, que com o passar do tempo teria se tornado Bagé.
A palavra pagé, o chefe religioso de uma tribo, ao colocarmos o prefixo Y (indicando que o mesmo vive a beira da água ou de um arroio) também da uma sugestão. Os índios tapes chamavam os cerros de "mbaiê"; alguns, ainda, explicam que no espanhol “valles” estaria uma origem para o nome, ou até em Baag, palavra que significa “local de passagem”.
REVOLUÇÃO FARROUPILHA
Em 1835 explodiu a Revolução Farroupilha, dividindo gaúchos entre ideais de republicanos e imperialistas. Bagé, mais uma vez, serviu de arena palco para tiroteio. O mais conhecido deve ser a "Batalha do Seival", em 10 de setembro de 1836 nos Campos do Seival. As tropas republicanas, comandadas por Antônio de Souza Netto, saíram vitoriosas e, no dia 11 de setembro, o mesmo General Netto, no atual Campo dos Menezes, margem esquerda do Rio Jaguarão, proclamou a República Rio – Grandense. Só que ela não durou muito.
Quando a Revolução terminou, Bagé foi elevada à categoria de freguesia, em 18 de maio de 1846, e de vila, em 5 de junho do mesmo ano. Foi reconhecida como cabeça de comarca em 22 de dezembro de 1858 e, depois de um monte de apelidos, em 15 de dezembro de 1859, finalmente chamaram Bagé de cidade.
CERCO DE BAGÉ
Em 1893, os federalistas reagiram à ascensão dos republicanos ao poder. Em 11 de fevereiro, o comandante das tropas rebeldes Gumercindo Saraiva invadiu o Rio Grande do Sul pelo Rio Jaguarão e, no Passo do Salsinho, foi travado o primeiro combate. Durante a Revolução de 1893, o município testemunhou ainda o Combate das Traíras, o Cerco do Rio Negro (onde 300 foram degolados sem chance de se defender) e o Cerco de Bagé.
O Cerco de Bagé teve como palco a Praça da Matriz e a Catedral, que ficou sitiada quando os revolucionários tentaram tomar a cidade. Foram construídas trincheiras e, sob o comando do Coronel Carlos Telles, os pica-paus (defensores do governo oficial) resistiram à invasão. Como não podiam sair, tiveram que enterrar seus mortos ao lado das torres da Igreja.